“O MAIOR CASTIGO PARA AQUELES QUE NÃO SE INTERESSAM POR POLÍTICA, É QUE SERÃO GOVERNADOS PELOS QUE SE INTERESSAM”.– ARNOLD TOYNBEE.“QUANDO ALGO REALMENTE BOM LHE ACONTECER, PARE E PENSE A QUEM DEVERIA AGRADECER. ISTO O LEMBRARÁ QUE VOCÊ NÃO SE FEZ SOZINHO”.– BILL BERNBACH.“O VALOR DE UM HOMEM É MAIS FÁCIL DE RECONHECER NAS PEQUENAS COISAS QUE NAS GRANDES”. – CASTIGLIONE.“SÓ QUEM APRENDEU O PODER DA CONTRIBUIÇÃO SINCERA E ALTRUÍSTA EXPERIMENTA A ALEGRIA MAIS PROFUNDA DA VIDA”.“NÃO ESPERE ACUMULAR UMA GRANDE QUANTIA DE DINHEIRO PARA COMEÇAR A DESFRUTÁ-LA. RECOMPENSE VOCÊ MESMO COM BONIFICAÇÕES-SURPRESA”.“O MODO MAIS IMPORTANTE DE GARANTIR SUCESSO EM QUALQUER RELACIONAMENTO É COMUNICAR-SE COM CLAREZA O TEMPO TODO”.
ESPECIAL
RISCOS DE UMA RECAÍDA - IVES GANDRA MARTINS
Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIFIEO, UNIP,
UNIFMU, do CIEE/O ESTADO DE SÃO PAULO, das Escolas de Comando e Estado-Maior do
Exército-ECEME e Superior de Guerra-ESG, Presidente do Conselho Superior de
Direito da Fecomercio-SP.
Em 2002, quando candidato à presidência da República, o presidente
Lula atacou o sistema financeiro internacional de forma virulenta, ao ponto de
ter obrigado o Presidente Fernando Henrique a buscar um empréstimo ponte de 30
bilhões de dólares junto ao FMI, empréstimo que foi obtido sem
problemas, pois os fundamentos da economia brasileira eram sólidos e a
instabilidade dos mercados financeiro, cambial e de capitais
decorria de questões meramente políticas.
A acolhida ao pedido do
Presidente Fernando Henrique, que gozava e goza de especial prestígio
junto ao FMI, deu-se, entretanto, sob a condição de
que os quatro candidatos, que então postulavam o cargo máximo
da Nação, concordassem em respeitar o acordo que viesse a ser firmado, o
que, efetivamente, ocorreu.
O então candidato Lula ateve-se ao
compromisso e mudou diametralmente seu discurso, ao ponto de, após eleito,
ter indicado o excelente Henrique Meirelles para presidir o Banco
Central.
Graças à sua mudança de postura e a ter
seguido, na área econômica, rigorosamente o modelo de seu antecessor, o
Brasil evoluiu, aproveitou o "boom" econômico internacional, passando a ser um
interlocutor respeitável no cenário global. Foi por esta razão que o presidente
Lula mereceu do presidente Obama o reconhecimento expresso na frase:
"Este é o cara".
A proximidade do fim de seu mandato, porém, e a pressão
de sua "entourage" em eleger uma ex-ativista de radicais movimentos de Esquerda,
tem levado o presidente Lula a alguns retrocessos perigosos.
De
interlocutor admirado perante os países desenvolvidos, apoiando às teses mais
consistentes, não só para a saída da crise, como para a convivência entre as
nações, transformou-se, no cenário latino-americano, em um acólito do
histriônico e desequilibrado Presidente Chávez e num subjugado às exigências de
nossos vizinhos (Argentina, Paraguai, Equador e Bolívia), com sérios
prejuízos ao País e à imagem de que
desfruta internacionalmente - imagem que principiou a ser construída
no governo anterior e que , sabiamente, soube
aperfeiçoar, nos primeiros sete anos de mandato.
O pior, todavia, é
a incoerência que passou a trilhar na política externa. Recebeu um
presidente ditador, que fraudou, reconhecidamente, as eleições no
Irã, mas recusou-se a reconhecer eleições limpas, como
foram as de Honduras. Prestigia o presidente violador da Constituição
hondurenha, Zelaya, que foi deposto com base nos seus artigos 239, 242 e 272,
como bem acentuou o eminente jurista Dalmo Dallari, e aceita cumprimentar
ditadores africanos e a conviver, com reverencial admiração, com a mais antiga
ditadura da América Latina, que é cubana.
No caso Battisti, corre,
o presidente, o risco de, ao não extraditá-lo, violar Tratado
Internacional com a Itália , por não acatar decisão da Corte Européia, em
que nada menos de 27 países estão representados.
A censura à imprensa,
que é cada vez maior nas semi-ditaduras venezuelana, boliviana, equatoriana,
nicaragüense e até na Argentina, começa, por outro lado, a contaminar setores do
governo que pretendem ressuscitar o inaceitável Conselho
Nacional de Jornalismo, com base nas conclusões de um
esvaziado e dirigido congresso sobre os meios de comunicação.
Por
fim, pretende polarizar a campanha entre "Esquerda e Direita", entre "ricos e
pobres", num debate já obsoleto na história.
Corre, pois, o presidente
Lula - que se houve bem, nestes sete primeiros anos - o risco
de ter sua imagem desfigurada perante as nações civilizadas, por este
"avanço do retrocesso", ao se transformar num líder vicário, secundário ,
submisso a tiranetes sulamericanos , dividindo a nação em vez de uni-la,
como o fez até hoje, apenas para atender aos
reclamos de um grupo de "amigos do rei".
Por ser o presidente Lula um
hábil político, espero que detecte a tempo os riscos da recaída. E retome o rumo
que lhe deu a popularidade merecidamente ostentada.