CORAGEM E URGÊNCIA - DR. JOSÉ RENATO NALINI
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Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo,presidente da Academia Paulista de Letras, escritor e
professor universitário. |
As catástrofes da primeira noite do ano são lições que não podem ser
desprezadas. A leniência do Poder Público é concausa das tragédias. Todos sabem
que as encostas não podem ser ocupadas. Menos ainda na insensatez multiplicadora
de edificações toscas, improvisadas e desprovidas de cálculos de estrutura e
fundações adequadas.
Extraia-se da tragédia o recado que a Natureza já
havia endereçado e não foi compreendido pela insensatez humana. O remédio é a
desocupação das áreas de risco e sua devolução à natural cobertura vegetal. Se
outros deslizamentos ocorrerem, pelo menos não haverá o custo insuperável das
perdas vitais.
O clima caótico já é consequência da atuação do homem
sobre o Planeta. Desmatamento impune, adensamento populacional sem planejamento,
parcelamento irregular ou clandestino do solo. O preço pago em vidas humanas
pode ser acrescido se não houver imediata reversão das tendências. É preciso
encarar o problema com a necessária seriedade. Não transigir com os erros, assim
que amainar a volúpia climática. Ao contrário, assumir as responsabilidades de
promover a desocupação de todas as glebas ameaçadas.
É o que se faz, de
maneira arrojada e destemida, com o Jardim Pantanal em São Paulo. O equívoco
daqueles que tentaram canalizar o Rio Tietê precisa ser reconhecido e não se
transformar em "fato consumado". Não é porque a pouca visão dos administradores
do passado sacrificou as curvas naturais do maior leito d´água que serve a
capital, que esse atentado precisa ser eternizado.
Remover a população,
devolver as várzeas ao rio, faz parte da sua imprescindível ressurreição. Isso
já se fez em outras cidades, com êxito comprovado. Custa dinheiro, implica em
sacrifício, colhe incompreensões. Mas o futuro dirá que não existe outra
solução. Evitar rombo orçamentário não legitima desperdiçar vidas humanas.
A lição é ainda mais válida e inadiável em relação ao Rio de Janeiro. A
cidade sediará as Olimpíadas. Assim como o Prefeito Passos, no início do século
XX, promoveu a demolição da velha capital colonial para traçar uma cidade
inspirada em Paris, é hora de o Brasil mostrar que pode oferecer nova e hígida
fisionomia da cidade mais linda do mundo a quem vier conhecê-la por ocasião dos
jogos olímpicos.
São Paulo está dando o exemplo. As casas
inundadas estão sendo derrubadas, a população recebendo moradia em conjuntos do
CDHU e a várzea devolvida ao Rio Tietê. Melhor será quando isso se fizer às
margens das represas e também junto à Serra do Mar, em toda a sua extensão.
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